“Divas”: um espetáculo de excelência musical que celebra grandes vozes femininas com identidade própria
O resultado: Teatro da UCS lotado e satisfeitíssimo!
VERA MARTA REOLON
MTb 16.069
MTb 15.241
Fotos byGuiReOli
"EM TEMPOS DE M E N T I R A UNIVERSAL,DIZER A V E R D A D E É UM ATO REVOLUCIONÁRIO"George Orwel
"Quando enterrada, a verdade cresce e se sufoca, ganha uma força tão explosiva que quando vem a tona vai explodindo tudo."Emile Zola
"Numa obra de arte, o crítico busca o teor de verdade (wahrheitsgehalt), o comentador o teor de coisa (sachgehalt). O que determina a relação entre os dois é esta lei fundamental de toda escrita: à medida que o teor de verdade de uma obra adquire mais significação, sua ligação com o teor de coisa se torna menos aparente e mais interior.
[...] então, somente ele [o historiador, o filósofo] pode colocar a questão crítica fundamental: a aparência do teor de verdade se prende ao teor de coisa, ou a vida do teor de coisa se prende ao teor de verdade?
Pois, ao se dissociarem na obra, eles decidem sobre sua imortalidade. Neste sentido a história das obras prepara sua crítica e aumenta assim a distância histórica de seu poder.
Se compararmos a obra à fogueira, o comentador está diante dela como o químico, o crítico como o alquimista. Enquanto para aquele madeira e cinzas são os únicos objetos de sua análise, para este apenas a chama é um enigma, o enigma do vivo.
Assim o crítico se interroga sobre a verdade cuja chama viva continua a arder por cima das pesadas lenhas do passado e da cinza ligeira do vivido. " Walter Benjamim
"NÃO PERCA TEMPO TENTANDO SER
NINGUÉM EXCETO VOCÊ MESMO,
PORQUE AS COISAS QUE TE FAZEM
UM ESTRANHO SÃO AQUELAS
QUE TE DEIXAM PODEROSO"
PLATT
"INCAPAZ DE PERCEBER A TUA FORMA, TE ENCONTRO EM VOLTA DE MIM.TUA PRESENÇA ENCHE MEUS OLHOS COM TEU AMOR, AQUECE MEU CORAÇÃO, POIS ESTÁS EM TODO LUGAR"
BALLROOM CASA DE DANÇA, fundada por Giovani
Monteiro celebrou em grande estilo, no
último dia 23 de novembro, 20 anos de atividades, apresentando um espetáculo de
dança e cênico que não deixa nada a desejar dos apresentados em grandes
centros, mostrando que o caxiense (embora Giovani seja pernambucano!) dança sim
e gosta de espetáculos, pois o UCS Teatro lotou para ver os bailarinos se
apresentarem.
O espetáculo foi assinado por Veronica
Zevallos Gomezjurado e pelo próprio Giovani, passando por diversos estilos e
apresentações de dança de salão.
Parabéns à Casa e aos bailarinos.
Criado
em 2019, o Sálvia – Festival de Arte, Cultura e Gastronomia nasceu para
celebrar os valores culturais da região e destacar uma das suas maiores
riquezas: a gastronomia. Gratuito e ao ar livre, o evento é realizado na Praça
das Feiras, no bairro São Pelegrino, em Caxias do Sul (RS), reunindo
experiências que integram arte, cultura e sabor em um mesmo espaço. Entre suas
atividades, o evento oferece shows ao vivo, a Quitanda do Sálvia (com
produtos regionais), a Sálvia Boutique (moda e artesanato) e o Espaço Kids,
além de áreas de convivência para famílias, amigos e pets.
Em 2024, o Sálvia conquistou o selo de “Evento
Consciente”, alcançando resultados expressivos na gestão de resíduos, O Sálvia
é uma realização da Interface Comunicação e Eventos, com apoio do Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RS) e do Sindicato
Empresarial de Gastronomia e Hotelaria (SEGH).
O
Sálvia – Festival de Arte, Cultura e Gastronomia deu início à sua edição de
2025 com um evento especial (como preview) para imprensa e patrocinadores,
na segunda-feira, dia 10 de novembro, na Don Claudino Casa de Eventos, em
Caxias do Sul (RS).
A
noite começou às 18h30 com receptivo bem ao gosto da ocasião e mostrando ao que
veio. Recebeu as pessoas com pães maravilhosos, acompanhados de frios e patês,
além de chopp, vinhos, água, espumantes, .... Tudo isso como um reentrè para a
sequência, com uma aula show de massas e preparação de ravioli, para a posterior
degustação. Pedir bis foi só um passo, para a belíssima preparação (que além de
bela, estava saborosíssima – “a melhor massa que já comi na vida” (sic) – era só
o que se ouvia!). A delícia foi oferecida pelo chef caxiense Charlie Tecchio.
A experiência gastronômica da noite trouxe uma combinação de sabores clássicos e contemporâneos. O chef Charlie serviu ravioli de carne no molho de manteiga e sálvia com licor de amaretto e um toque especial da Charlie Bakery.
O
Sálvia – Festival de Arte, Cultura e Gastronomia será realizado nos dias 29 e
30 de novembro, na Praça das Feiras, no bairro São Pelegrino, em Caxias do Sul
(RS). O evento é aberto e gratuito, reunindo o melhor da gastronomia local em
um ambiente ao ar livre, repleto de arte, cultura e sabor.
O
público encontrará uma ampla variedade gastronômica, com chefs e restaurantes
da região, além de vinhos, espumantes, chopps, drinks, quitanda com produtores
locais e espaço dedicado ao artesanato. O Sálvia também contará com um palco
para shows artísticos e culturais, proporcionando uma experiência completa para
todas as idades, além dos Espaços Sebrae e Senai, com atividades das entidades.
O sabor e o aroma da sálvia vão ganhar destaque nas oficinas gastronômicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) Caxias do Sul durante o Sálvia – Festival. Gratuitas e abertas ao público, as oficinas vão mostrar o potencial da sálvia em receitas doces e salgadas, conduzidas pelos professores especializados.
VERA MARTA REOLON
MTb 16.069
GUILHERME REOLON DE OLIVEIRA
MTb 15.241
Fotos byGeCol
Na preview do evento mostrou a que veio. Houve apresentações, gastronomia, bebidas, boa música e, por que não dizer, um ambiente que remete sem dúvida ao que o Blues reverencia. O Complexo Fabbrica estava repleto e nem a chuva afastou os blueseiros. A satisfação com o ambiente e com a música eram evidentes. Como já dito só um gostinho para ver mais em 20/21 e 22 de novembro.
Além dos shows no Fabbrica, o festival estende sua
programação para outros espaços culturais da cidade. Na Casa da Cultura Percy
Vargas de Abreu Lima (Rua Dr. Montaury, 1.333, Centro), o público poderá
conferir o MDBF Kickoff 2025, no dia 18 de novembro, a partir das 20h, com The
Cotton Pickers celebrando 15 anos de estrada e performances do Studio de Dança
Camila Oliveira. Os ingressos são R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). No dia
seguinte, 19 de novembro, o estúdio volta ao palco da Casa da Cultura e
apresenta o espetáculo de dança “Black Roots”, destacando as origens afro do
blues, às 20 h. Os ingressos são R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).
A conexão entre música e ancestralidade, referenciando o
feriado de 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, também ganha destaque na
sala de cinema Ulysses Geremia, no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique
Ordovás Filho, que exibirá o documentário “Razões Africanas”, de Jefferson
Mello, entre os dias 20 e 23 de novembro, sempre às 16h. O filme explora as
ligações culturais e musicais entre o Brasil e a África, abordando temas como
identidade, resistência e pertencimento. Com ingressos a R$ 20 por pessoa, quem
apresentar ingresso do MDBF paga meia-entrada (R$ 10) nas sessões.
Para quem quiser aquecer os ouvidos antes da maratona de
shows, o Salvador Fabbrica recebe, no dia 19 de novembro, às 20h, o guitarrista
Álamo Leal, um dos grandes nomes do blues nacional. O ingresso é R$ 10.
Ainda, o maior festival de blues da América Latina terá
cervejas exclusivas, inclusive!
e aconteceu,....
obviamente que o evento foi um sucesso, como era de se esperar, com boa música e serviços acontecendo.
Críticas ficam por conta de lugares para estacionar, NÂO OS HÀ por perto, e a briga pelos mesmos tira a alegria dos dias de espetáculo.
Vera Marta
Reolon
MdB 16.069
Guilherme
Reolon de Oliveira
MDb 15.241
Fotos e
vídeo by GuiReOli
Julgamentos sobre a
VIDA!
Vera Marta Reolon
Hannah Arendt,
aluna de Heidegger, filósofa política, judia. Quantos adjetivos para defini-la.
Algum a define realmente em sua essência? Muitos, neles incluídos,
principalmente seus colegas refugiados do nazismo nos EUA provavelmente não
conseguiram compreendê-la.
Ela viveu na
Alemanha nazista, como professora de política. Perseguida pelo nazismo por ser
judia, exila-se, foge para os EUA, onde se torna professora de alemão. Sem
documentos vive condição de liberdade cerceada.
Junto a outros
refugiados perseguidos e judeus mantém grupo de discussões, encontros e
contatos. Após a prisão/detenção de Eichmann, Hannah é convidada por uma
revista para escrever sobre o julgamento do mesmo. A reportagem resulta em um
livro onde ela vai questionar a forma como Eichmann é perseguido e capturado, levado
preso para ser julgado em Nuremberg, onde seu julgamento acontece. Esta é uma
grande questão de ordem ética, pois ela vai se contrapor a seus colegas judeus
para pensar sobre formas humanas de ação e diferentes julgamentos sobre seus
resultados e consequências.
Por quê sou
judeu e perseguido pelo nazismo, estou isento de julgamentos sobre meus atos e
posso ultrapassar limites, inclusive na busca pela “suposta” (ou não ) justiça?
Quanto a
Eichmann, em sua defesa, traz a ideia de
que era um soldado a praticar atos sob o mando de alguém. Logo, não tem
responsabilidade sobre tais atos.
Hannah abre
discussão sobre esta proposição fazendo-nos pensar: se somos/estamos praticando
atos sob ordens de alguém não conseguimos refletir sobre estas ordens, questioná-las
e, quiçá, não as realizar se concluímos que são imorais, injustas ou/e vão
contra nossos preceitos éticos? Quando recebemos ordens, mesmo que em situações
de guerra, não temos autonomia de pensamento, a perdemos e apenas praticamos
atos mesmo que errados, deixando de ser o que chamamos (ou entendemos ser)
humanos?
Em seu texto A
Condição Humana, Hannah nos diz que, tanto Kant, com seu imperativo, quanto
Sócrates , com seu “dois em um”, tinham a ética antes, já a portavam logo todo
o imperativo e resolução já portariam preceitos éticos em sua origem. Isso quer
dizer que, quando analisamos o imperativo de Kant e o “dois em um” (conversa
consigo mesmo frente a um impasse que necessita resolução) socrático , devemos
sempre ter em mente essa condição, qual seja a que a ética, o ethos já aí está. Quando trazemos a ética em nosso ser, mais
fácil será praticarmos e julgarmos atos com fins de atingirmos resultados
justos.
Grandes
questionamentos de Hannah também se dão no campo da linguagem, quando declaramos
“o povo”, a sociedade cometeu tal atrocidade, tal fato. Mas, quem é a
sociedade? Ela dirá, quando responsabilizamos todos, não responsabilizamos
ninguém, porque não conseguimos apontar um responsável.
Tantas
proposições filosóficas vindas de alguém que não se nomeava filósofa, mas sim
do campo da política. E a filosofia, quanto nos ajuda a pensar nosso mundo
neste pós Segunda Guerra e depois desta grande pensadora?
Palavras-Chave: Judeus , Nazismo, Julgamento,
Responsabilidade, Ética, Filosofia.
BILDUNG –
METAFÍSICA DO PODER?
A arte e seus
aprendizados sobre o homem!
Profª Drª Véra Marta Reolon
Professora aposentada (UFRGS)
Doutora em Filosofia (PUC-RS), Doutora em Educação (UFRGS), Mestre
em Letras e Cultura Regional (UCS), Graduada em Psicologia – Formação do
Psicólogo (UCS), Bacharel em Ciências Contábeis (UCS)
E-mail: verareolon@terra.com.br
O cenário é uma
ópera de Richard Wagner: DAS RHEINGOLD – em tradução livre, Sobre o Ouro
do Reno. A ópera é transpassada pela música, absolutamente campal, forte,
poderosa.
A cena se inicia com
as Nereidas, em número de três, cantando seu cuidado e a determinação de seu
pai, de que elas protegessem o ouro nas profundezas do oceano. Aparece um nibelungo
que deseja desposar uma delas. Canta o amor a uma, que o renega. Depois à
segunda, que repete o gesto da irmã. Por fim, a terceira também o rejeita. Ele,
então, desprezado pelas três, rouba-lhes o ouro e o leva para seu mundo. As Nereidas,
então, o amaldiçoam: “quem fica com o ouro, é porque rejeitou ao amor e aos
prazeres do amor”.
Outra cena. O
ambiente agora é montanhoso, hipoteticamente um “céu” rochoso, onde “vivem” os
deuses, comandados por Wotam. Este está casado com Fricka, irmã de Freya.
Wotam, por algum temor, que não fica claro, apenas que pode ter sido induzido
por Mime, manda construir, cercar o “palácio”, as terras, com um fortificado.
Este fortificado é realizado pelos gigantes, que cobram pelo serviço. A cobrança
era sabida e combinada com Wotam, no contrato. Concluída a obra, os gigantes querem
o pagamento. Wotam sabe disso e é questionado pela esposa do absurdo da construção,
considerando-a desnecessária. Afinal são deuses, imortais. Wotam não tem o
valor do pagamento. Os gigantes então, exigem que Wotam lhes entregue Freya,
paixão de um deles.
A importância de
Freya no reino imortal é que ela cuida das plantações, da árvore e dos frutos
que dão a imortalidade e a juventude aos deuses. Entregando-a aos gigantes, não
só perdem a irmã de Fricka, mas também a possibilidade da juventude e
imortalidade. Que deuses seriam, então?
Como não há a
possibilidade de quitar a dívida de outra forma, entregam Freya.
Se vão os gigantes
com Freya e prometem devolvê-la apenas quando do pagamento da fortaleza.
Mime, como um
demônio, a viver com os deuses, sabedor da história das Nereidas, convence
Wotam a buscar o ouro com o Nibelungo, em princípio para devolvê-lo às
Nereidas.
Wotam chega às
profundezas do oceano e, em uma jogada de esperteza, consegue tomar o ouro do
Nibelungo e levá-lo. Este, antes de levarem o ouro, amaldiçoa o que tiver o
ouro e o anel de ouro, que morrerá por ele. Wotam paga, assim, o que deve aos
gigantes, recupera Freya.
Um dos gigantes,
dizendo ao irmão que, como aquele só queria mesmo Freya e nada mais, o mata
para ficar com o ouro só para si.
Os deuses se
encaminham ao cercado, agora com Freya.
Mime questiona
Wotam, sobre a não devolução do mesmo aos oceanos e às Nereidas, logo o não
restabelecimento do equilíbrio, o que Wotam nem dá atenção.
Ao final da peça,
Wagner nos mostrar um Mime a arder, com roupas de um vermelho vivo, afogueado.
È interessante
observar que tudo isso, a ópera, sua concepção se passam no século XIX, em
plena vigência do que a Alemanha chamou de Bildung, uma busca pelo
revisitar a Paidéia grega, com sua efervescência cultural, com a busca por um
crescimento intelectual, cultural, estético, do mundo grego da antiguidade.
A Paidéia grega
prezava a busca de um crescimento que extrapolava o intelectual, que
extrapolava a arte. Era um mundo de crescimento exterior que jamais se
desvincularia de um grande crescimento interior. O homem aqui era o que
cultuava esse crescimento, o saber, a sabedoria, o fazer estético, jamais desvinculado
da ética subjacente.
Note-se que a ética
para o grego era aquilo que podemos explicar, além da moral, do costume, que o
latim tentou traduzir e adaptar como sendo de mesma etnia. Ética era o lugar
das casas, onde como um altar, com objetos sobre ele, que simbolizavam os
antepassados, os familiares, em uma situação de crise que necessitava de uma
decisão, giravam até encontrarem uma resposta que venerasse e honrasse a todos
que aí estavam e aos que viriam além deles.
Logo, todo fazer,
deveria estar impregnado de saber, de sabedoria, de verdade, de arte (fazer
arte – agir esteticamente), mas SEMPRE como um ATO ÉTICO por excelência.
O homem grego
utilizava deste preceito para lançar-se no que Foucault mais tarde retoma,
nomeando de CUIDADO DE SI!
O HOMEM GREGO, ENTÃO
PARA SAIR DAS CAVERNAS e viver na cidade, deveria buscar esse cuidado de si,
esse crescimento, essa preparação para “governar” as cidades. è aqui, centra-se o que, resumidamente os
gregos nomeavam como PAIDÉIA!
Nietzsche, no século XIX, entre outros, na Alemanha pré-guerras,
busca revisitar a idéia da Paidéia, para o tempo alemão, com o que chamaram de BILDUNGè um restabelecimento do agir, do fazer, do estar no mundo, da Paidéia
grega para um novo tempo, para uma nova efervescência cultural,
ético-estética, agora como centro do mundo alemão e seus pensadores,
artistas...Richard Wagner é um dos grandes expoentes deste tempo e busca a Bildung
com galhardia na música. Nas óperas indiscutivelmente.
O que vejo, em princípio, nesta transposição artística?
Wotam não precisava de uma fortificação para seus domínios. Os
deuses são imortais, são deuses. Por quê o faz? O faz induzido por um
manipulador? Mas, por quê se deixa seduzir por coisas das quais não precisa?
Por quê não ouve sua mulher, em princípio, como ele mesmo diz, por quem “perdeu
um olho” (sic) para tê-la (literalmente, pois está com um olho cego!). Ainda,
faz um contrato com os gigantes, que sabe não poder pagar e corre o risco de
perder a imortalidade, a juventude, própria dos deuses, logo perder assim, suas
essências, como deuses que são.
O Nibelungo entrou no jogo do poder do ouro, mas sabia, e o fez
depois de tentar o amor e seus prazeres com as Nereidas, logo sabia que negar o
amor era uma conta que pagava para ter o ouro e o poder advindo dele. O equilíbrio
perdido no ar, terra, água estava quebrado, com sua atitude. Mime, em princípio
queria restabelecer o equilíbrio. Há interesse nele de que isso se dê? Wagner,
com o “queimar” de Mime, no final da peça, nos dirá que não! Os gigantes, em
princípio não queriam o dinheiro, o ouro, queriam Freya, um por amor, o outro,
quiçá para obter a juventude e a imortalidade.
Chega-se, ao término da peça com a idéia que o PODER é
absolutamente VAZIO de quaisquer significados, pois ninguém está satisfeito com
o resultado de seus atos, da condução dos acontecimentos.
Lévi-Strauss compara o objeto mitológico a uma partitura de
orquestra que se deve ler horizontal e verticalmente. “Música e mitologia se
apresentam, aos olhos de Lévi-Strauss, como imagens inversas uma da outra,
desde a invenção da fuga, cuja composição se reencontra na narrativa mítica. A
música tomou o lugar do mito: ‘quando morre o mito, a música torna-se mítica da
mesma forma que as obras de arte’” (DOSSE, 2007, p.341).
Será, e me pergunto sempre, que tais elucubrações não são as
precursoras dos acontecimentos a que chegamos no Holocausto judeu, nas guerras
mundiais, no entre guerras, no horror inclusive questionado por judeus, como
Hanna Arendt em seu belíssimo Eichmann em
Jerusalém? E, quiçá, na fragmentação, inclusive acadêmica que vivemos hoje,
em todos os campos do saber, que evidencia o quanto nos distanciamos das idéias
da Paidéia, indo justamente na contramão de tudo aquilo que lemos e
estudamos daquele período e de seus ensinamentos?
Vontade, Poder, Desejo é a própria Paidéia em ação, é todo
o agir estético, logo, absoluta e completamente ÉTICO POR EXCELÊNCIA! Qualquer
coisa, qualquer agir, diferente deste não chega no ato Techné grego, que
também seria estético, mas diferente da Arché, mais idealizado, mais em
busca do BEM, do BOM, do IDEAL, portanto.
Schoenberg em seu texto, com textos criados, revisitados, inicia,
assim, seu texto, A RELAÇÃO COM O TEXTO:
“Há relativamente poucas pessoas capazes de compreender de modo puramente
musical o que a música tem a dizer” (SCHOENBERG, 2013, p.69).
A música está para além das notas, está para além da composição,
dos arranjos, por mais belos que possam ser. A música está para além de uma
voz, harmoniosa ou não. A música está no agir musical. A música está no ato
estético por excelência. A música, logo, está no agir ÉTICO por excelência.
Está no mais distante do PODER pelo poder, no Poder que, diria Lacan, atem-se a
PARANÓIA, no vazio do poder. A música está no DESEJO que é absolutamente
pessoal, intransferível, no DESEJO que nos constitui como seres ÚNICOS que
somos. A música está no agir Estético, desde a Paidéia, a VERDADEIRA
MÚSICA ESTÁ NA ÉTICA SUBJACENTE A TODO NOSSO AGIR E SER!.......... só assim!!!!!
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
ARENDT, Hanna. Eichmann em
Jerusalém: Um relato sobre a banalidade do mal. SP: Cia das Letras, 1999.
DOSSE, François. História do
Estruturalismo. Bauru: Edusc, 2007.
KANDINSKY, Wassily; MARC, Franz (Org.). Almanaque O Cavaleiro Azul. SP: EDUSP, 2013.
PLATÃO. A República. SP:
Nova Cultural, 2000.
WAGNER, Richard. Das Rheingold. DVD, 1990/2008, Deutche Grammophon, gmbh, Hamburg
Entre outros autores...
Aproveita
o dia
Walt
Whitman*
Aproveita o
dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um
dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa
própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma
estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as
pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido…
*Walter
Whitman (1819–1892) foi um jornalista, ensaísta e poeta americano
considerado o “pai do verso livre”.