"EM TEMPOS DE M E N T I R A UNIVERSAL,

DIZER A V E R D A D E É UM ATO REVOLUCIONÁRIO"

George Orwel
“ENTRE A DESONRA E A GUERRA, ESCOLHESTE A DESONRA E TIVESTE A GUERRA!” - CHURCHIL
"Quando enterrada, a verdade cresce e se sufoca, ganha uma força tão explosiva que quando vem a tona vai explodindo tudo."

Emile Zola

"Numa obra de arte, o crítico busca o teor de verdade (wahrheitsgehalt), o comentador o teor de coisa (sachgehalt). O que determina a relação entre os dois é esta lei fundamental de toda escrita: à medida que o teor de verdade de uma obra adquire mais significação, sua ligação com o teor de coisa se torna menos aparente e mais interior.

[...] então, somente ele [o historiador, o filósofo] pode colocar a questão crítica fundamental: a aparência do teor de verdade se prende ao teor de coisa, ou a vida do teor de coisa se prende ao teor de verdade?

Pois, ao se dissociarem na obra, eles decidem sobre sua imortalidade. Neste sentido a história das obras prepara sua crítica e aumenta assim a distância histórica de seu poder.

Se compararmos a obra à fogueira, o comentador está diante dela como o químico, o crítico como o alquimista. Enquanto para aquele madeira e cinzas são os únicos objetos de sua análise, para este apenas a chama é um enigma, o enigma do vivo.

Assim o crítico se interroga sobre a verdade cuja chama viva continua a arder por cima das pesadas lenhas do passado e da cinza ligeira do vivido. " Walter Benjamim

"NÃO PERCA TEMPO TENTANDO SER

NINGUÉM EXCETO VOCÊ MESMO,

PORQUE AS COISAS QUE TE FAZEM

UM ESTRANHO SÃO AQUELAS

QUE TE DEIXAM PODEROSO"
PLATT

UMA OBRA SÓ SE TORNA OBRA DE ARTE A PARTIR DA CRÍTICA.


CUIDADO!
ARTE inclui:Dança, Música, Teatro, Literatura,Pintura, Escultura,....., e todo trabalho que dedicamos (pelos nossos TALENTOS) e o realizamos com AMOR (sem inveja, nem dor, nem....)!!!!!!
"UMA FOTO É UM SEGREDO SOBRE UM SEGREDO.

QUANTO MAIS ELA DIZ, MENOS VOCÊ SABE."
D.A.



"A VIDA É UM SONHO.

TORNE-O REAL".
M.T.


"INCAPAZ DE PERCEBER A TUA FORMA, TE ENCONTRO EM VOLTA DE MIM.
TUA PRESENÇA ENCHE MEUS OLHOS COM TEU AMOR, AQUECE MEU CORAÇÃO, POIS ESTÁS EM TODO LUGAR"
A que se presta este blog??????????...............a estabelecer notícias, comentar fatos do cotidiano no e do mundo........elaborar alguma crônica de autoria dos blogueiros responsáveis (que, é óbvio, são maiores, responsáveis, éticos, e nada crianças - embora possuir a leveza das crianças "educadas" não seja nada ruim!!!!!).......realizar críticas, como pensamos não existir nas mídias que temos e vemos..........com, cremos, sabedoria e precisão.........com intuito de buscar melhorias em nossas relações com os seres vivos........e com/para o mundo..........se possível!!!!!!................



Críticas por e pela ARTE ( ESTÉTICA COM ÉTICA - como deve ser!!!! - desde a PAIDÉIA - A BILDUNG - .......ATÉ O SEMPRE!!!!!!!)




EDITORIA RESPONSÁVEL:
GUILHERME REOLON DE OLIVEIRA E
VERA MARTA REOLON

segunda-feira, 23 de maio de 2016

CRÍTICA DE ARTE/FOTOGRAFIA: Curadoria não é qualquer coisa!!!

 CURADORIA!
Qualquer um pode ser Curador?
O que é curadoria?
Pois bem!

Curador é cuidar, zelar pela obra do artista, dar visibilidade ao trabalho dele. Cuida do negócio da arte, em contraposição à criação em arte.
Curadoria é um campo interdisciplinar (valor da obra, patrocínio, logística, aluguel de espaço, iluminação, contacto com  imprensa, contextualização (histórica, cultural e teórica) do trabalho ). De onde e para onde a obra quer ir. Levantar características que dêem visibilidade à obra.
Trabalho do curador abre um acontecimento, apresenta o trabalho como matrizes para novas seqüências: raízes e ramos que podem surgir da obra.  Acrescenta marketing e outras linguagens à obra. Abre um sentido, dá sentido ou dá um espaço para que outros sentido possam surgir. O curador deve ter sensibilidade para apresentar o objeto curado para que não haja prejuízo de percepção. Não deformar o trabalho nem para mais, nem para menos. Tem uma função social e de educação não formal. – a partir de texto de Cauê Alves, intitulado Curadoria como historicidade viva.

A exposição fotográfica-performática  A FOTOGRAFIA COMO CORPO PERFOMATIZADO: A autoridade de imagem  construída, que está acontecendo no Espaço Cultural ESPM-SUL, sob curadoria de Niura Legramante Ribeiro, certamente atinge os objetivos de uma curadoria como o autor propõe.

A curadora apresenta a idéia de fotografias com corpos , apresentando movimentos, vinculados ou não à natureza, aos objetos, à vida que se desenvolve e se desenrola no decorrer do tempo fotografado.

A curadora apresenta as fotografias , como momento do modelo fotografado – o performer- o fotógrafo está aí para registrar este momento.

Diversos são os fotógrafos, como diversos são também os modelos fotografados, os ambientes, as nuances de cor, sugestão de movimentos, luz, imagem.

São modelos parados sobre a água, esta em movimento, ou na foto da modelo captada em um interstício para cair lateralmente na água – aqui o movimento é sugerido.

Na apresentação fotográfica de uma modelo nua sobre a cama, a sugerir masturbação, mas o fotógrafo faz inserções de sombras com roupa, na cama, saindo da cama.

Em fotografias de inserções de modelos na natureza, a cor, a luz, a sombra, o aparecer-desaparecer.

Registros de sombras, de movimentos, a sombra => seqüências de fotos e/ou manipulação de imagens, seqüências como cinema, dando a sensação do movimento através do tempo.

Vale a pena ver!

VERA MARTA REOLON

MTb 16.069

CRÍTICA/TEATRO: BRECHT – desvendado! – DESVELADO????

Então.......fomos ver uma peça do Palco Giratório “Diga que você está de acordo! MáquinaFatzer” – do Teatro Máquina de Fortaleza – CE.
A peça se baseia em fragmentos achados de Brecht, desconhecidos do grande público,  inicialmente não traduzidos e, após encontrá-los, traduzem o texto na USP e uma aluna de Pós Graduação resolve trabalhar um fragmento do “fragmento-texto original” em apresentação teatral com o grupo Teatro Máquina.
O fragmento:
Uma mulher e inicialmente três homens (um vestido de mulher) cheios de hematomas e bandagens, aparentam ter estado na guerra, vivem em um ambiente,em princípio, com certo equilíbrio.
 Chega um quarto homem e inicia-se certo conflito, inicialmente para entrar na casa, depois para apossar-se do ambiente e da mulher.
O que se veste de mulher questiona a entrada do outro mostrando sua saia – “falta mulher para ti aqui dentro!” (sic) – ((sic) porque se precisa deduzir o que é dito, a linguagem é incompreensível). As palavras não são compreensíveis. Nada do que é verbalizado tem linguagem construída e constituída. A única coisa compreensível , lingüisticamente, é a frase da mulher, em desespero, dizendo “esta casa é minha” (sic).
A platéia então fica sabendo que a casa é dela, que estão ainda sob fogo da guerra e que os homens são atendidos por ela em seus ferimentos e alimentos (poucos!).
Quando o último introduzido na casa ataca a mulher, ela então ataca um, é atacada pelo que estava com saia, que então aparece sem saia, isto tudo enquanto o quartto (marido dela- segundo o grupo) come um fruto achado no chão, embaixo do assoalho.
O cenário - casa  é destruído. O homem que foi “atacado” pela mulher aparenta ter morrido (tuberculose?). A mulher o prepara para enterro?!, enquanto os outros estão em uma aparente catarse.
Escurece o teatro. Silêncio!
Alguns, depois de segundos, aplaudem.
Acende-se as luzes e os atores se apresentam para “agradecer”.
Interessante notar que, nos últimos tempos todos têm aplaudido em pé, os diferentes espetáculos. Neste não aconteceu. E nota mais grave ainda – foi um dos melhores espetáculos de muito tempo.

Discussão sobre a peça:
Os poucos da platéia que ficam para a discussão ouvem que a peça é resultado dos estudos de doutorado da “diretora” que, para tornar peça, trabalha “alunos”, o texto com diretor argentino e traz a peça ao público do Palco Giratório.
O que é apresentado sabe-se que é o fragmento do fragmento encontrado de Brecht. Que a peça é um despedaçamento, inclusive lingüístico, com o fim de “chocar” o público.
As grandes questões não são discutidas nem nas perguntas do interlocutor, nem pela parca platéia que permanece. Falam de atitudes “animalescas” dos personagens. Mas quê animal ataca sua espécie se não for apenas para saciar sua fome?
Só o “humano”.
O quê é Humano???
A tradição cristã da qual nossa cultura ocidental descende nos ensinou que ser humano é ser BOM, bondoso, compreensivo.....
Mas isso não é o homo sapiens   - os assim denominados não são bons, são predadores em tudo, nos negócios dos outros, na administração de seus subordinados, na administração de verbas e negócios públicos, que deveriam defender com responsabilidade (cobrada – inclusive por magistrados públicos – pagos com dinheiro do POVO!), na condução das famílias que decidem- escolhem ter (inclusive os animais que adotam e deveriam proteger e não usurpar suas vidas!), nas crianças que geram e não deveriam abusar, sexual, financeira, educativa e moralmente.
Os animais??????
Animais não fazem isso, não roubam o semelhante, não matam, não estupram, não invadem, não torturam.
Só o “homem” o faz!
O que é Humano?
O que é animalesco?
Alguém deveria “ensinar”, inclusive à “diretora” e ao “diretor” argentino.
Claro que a “diretora” irá dizer “atingimos o objetivo que nos propomos, sob o prisma acadêmico do teatro” (sic)  para “parecer” inteligente mas, se assim o fosse não o seria!
Como dizia um amigo antigo meu do teatro: teatro/atuação de verdade não se aprende na academia!

O que fica é o que Deleuze chamou de non-sense – não o sem sentido algum que alguns desavisados traduzem – mas o pleno de sentido – o sentido em sua potência máxima!!! 

VERA MARTA REOLON
MTb 16.069



CRÍTICA/DANÇA: Israeli e Flamenco: quando o folclore deixa de ser só folclore (ou não)

Na semana que passou, dois espetáculos apresentados em Porto Alegre nos provocaram um questionamento relativo às danças folclóricas: quando deixam de ser apenas “folclóricas”, se isso é possível, e passam a figurar no escopo de danças “em geral”?
Vejam bem, tratam-se de duas apresentações: uma de dança israeli, do grupo Kadima (agraciado com o Prêmio Açorianos de Dança 2015, como Espetáculo do Ano), e outra de flamenco, do grupo de Silvia Canarim.
A pergunta parece ser mais facilmente respondida quando nos referimos ao flamenco, que já figura nas mostras de dança ao lado das danças clássica, moderna e contemporânea, movimento que ocorre também com as danças urbanas e com a dança do ventre, por exemplo.
A mídia desempenhou papel importante nesse sentido, popularizando, quase massificando algo restrito a um grupo. De flamenco, há escolas especializadas ao ensino de sua dança, associada ou não aos costumes que propiciaram seu advento: a música e a cultura de Sevilha, Espanha. O flamenco figura como o samba, o tango, a salsa.
Isso não ocorre com a dança israeli, que se equipara, por exemplo, às danças gaúchas, ao frevo e à tarantela, ainda restritas a grupos específicos ou culturas regionalistas. Pode-se pensar que tais danças ainda não sofreram um processo de transformação do popular ao massivo, mas isso se mostra argumento fraco, uma vez que são identificáveis facilmente por qualquer um. Essas danças, uma vez “confinadas” a determinados grupos, sobrevivem – é o que se observa – pelo esforço (e diríamos pelo patrocínio) de fundações, centros de tradições, governos e institutos públicos, movimentos tradicionalistas, o que não ocorre com outras modalidades de danças.
Por figurarem no escopo das danças folclóricas, por vezes, esses grupos contam com a participação de um número elevado de bailarinos (que desfoca a atenção do público) e, dado seu caráter de folclore, não exigem uma avaliação de precisão de movimentos e ações. Isso se observou no espetáculo Etnias, do grupo Kadima, apresentado dia 17, no Theatro São Pedro. Com um grupo de mais de 30 bailarinos no palco, em diversos momentos, era perceptível que um ou outro não “lembrou” da coreografia, parou a movimentação e aguardou a “deixa” para entrar novamente na escrita combinada. Em grupos menores ou de dança clássica, por exemplo, isso – o erro – não passaria desapercebido e seria facilmente notado, mesmo por grupo não especializado. Ainda assim, o grupo fez uma apresentação muito boa, com Presença (da maioria) e afinação de narrativa (história dos judeus) por meio de figurinos e oito (ou nove) coreografias, com autorias eticamente documentadas – é verdade que facilitada, afinal, qual grupo de dança, hoje, tem um conjunto de mais de dez produtores à sua disposição (aliás, produção inteligente, inclusive de vídeo e libreto), além de uma fundação brasileira de arte e cultura por trás?
Nesse sentido, uma avaliação melhor merece o espetáculo Usina Tablao, do Grupo Flamenco Sílvia Canarim, apresentado dia 18, no Teatro Renascença. No palco: um cantor, dois instrumentistas e seis bailarinas, música flamenca ao vivo e um gostinho de participação naquele grupo que remetia aos tablados espanhóis. Uma precisão de movimentos, uma sensação de pertença grupal e uma Presença marcante dos músicos e das bailarinas, resultou em um ótimo espetáculo, que, por tal caracterização, merecia talvez mais destaque. Os detalhes do figurino, da iluminação e mesmo do cenário (simples, porém significativo – um lenço aberto ao fundo, remetendo a esta “roda de conversa e descontração”, tais como as rodas ciganas e as rodas de chimarrão gaúchas) foram também muito bem pensados. E ali, como programa, estiveram presentes soleá, guajiras, tientos, alegrias, tangos e sevillanas, propiciando um panorama da arte flamenca.
Por essas e por outras, talvez, o Prêmio Açorianos de Dança deva estar em constante mudança, atento a nuances que por vezes passam desapercebidas. E mais: em uma época de falta de verbas na área cultural (extinção e retorno do Ministério da Cultura), os recursos devem ser disponibilizados a quem os utiliza de maneira sábia e proveitosamente, por que o dinheiro é do povo.
O patrocínio foi bem empregado, não há dúvida, em Etnias. Usina Tablao merecia um olhar mais atento do público especializado.   

Guilherme Reolon de Oliveira

Mtb 15.241

terça-feira, 17 de maio de 2016

CRÍTICA/DANÇA: Almodóvar em movimento

O universo da obra cinematográfica de Pedro Almodóvar, por si emblemático e singular, se transformou em espetáculo de dança pela Khaos Cênica, encenado no Teatro Renascença, no último 13. Oscilando dança no palco e em vídeo, complementares, com cenas conjugadas (um movimento iniciado num suporte continuava em outro), “Rubro Almodóvar” não se restringiu a apenas um gênero: dança de salão, algo de contemporâneo, e até mesmo hip hop, momento até com funk (contextualizado em crítica ao moralismo da Igreja).

“Rubro Almodóvar” trouxe aos palcos diversas cenas que lembravam a filmografia do cineasta: Tudo sobre minha mãe, Volver, Má educação, Corações Partidos, dentre outros. As cores características da fotografia dessas obras também se fez presente, em especial o vermelho. Embora com diferentes gêneros, se pensarmos nos movimentos, a trilha sonora se restringiu a músicas com teor tragicômico, ganhando relevo o bolero. Tecnicamente, os bailarinos homens se destacaram – também porque, talvez, a coreografia o tenha favorecido: merecida menção a cenas de casal, em detrimento dos momentos em que apenas as bailarinas ficaram sós no palco (nestes, faltou um “tempero”, algo que desse mais vida, Presença).

O figurino estava condizente com a poética de Almodóvar: cores vibrantes, com tecidos fluidos; algo até mesmo com certo desleixo (proposital?), no que se refere às camisas masculinas que, na realização dos movimentos, acabavam de desprendo do interior das caças, isso acaba comprometendo a obra, com cara de “pouco cuidado”. 

Pouco cuidado, contudo, não se observou na unidade da obra. Pelo contrário, o que se percebe é que a direção do espetáculo (responsável também pela concepção) pensou nos detalhes: o casamento entre cinema e dança – e aqui nos dois sentidos (entre a obra de Almodóvar e a coreografia, entre o vídeo e o palco que se mesclavam); a iluminação (também com o uso das cores predominantes em Almodóvar); e a construção de uma “narrativa” (uma liga entre cenas que pudessem parecer desconexas).

A Presença talvez tenha sido comprometida porque o cenário não foi idealizado com tal esmero. Quando o uso de elemento cênico na última seqüência de movimentos foi usado, o espaço se completou, articulando melhor a relação entre vazios e a quantidade reduzida de elenco. Nos demais momentos, quando no palco se viu apenas os bailarinos, especialmente quando permaneciam as três bailarinas (os menos delas), um desconforto visual acontecia, uma sensação de vazio mesmo, sem Presença de cena.


Por fim, cabe destacar que, nos vídeos, a Khaos Cênica ocupou destacados pontos urbanos de Porto Alegre (ruas, centro de cultura, praças); será que querendo mostrar que Almodóvar está não só em cena, como fora dela? Se levarmos em consideração a afirmação da direção, que as questões do cineasta “humanizam figuras normalmente tratadas como parias sociais e resumidas a clichês”, talvez a resposta seja positiva.


Guilherme Reolon de Oliveira
MTb 15.241

sábado, 9 de abril de 2016

CRÍTICA/DANÇA: Cadê a dança?

A pergunta pode parecer estranha, mesmo "louca", mas quando um espetáculo que se propõe a ser de dança pode assim ser considerado efetivamente? Em outras palavras, basta designar-se "de dança" para ser considerado "de dança"?

O espetáculo "As únicas coisas eternas são as nuvens", apresentado pela Porto Alegre Cia de Dança, no Theatro São Pedro, no último 31, teve muitas qualidades. Aliás, especialmente em elementos constitutivos das artes "da cena" - teatro e dança" - por vezes esquecidos pelas Companhias de dança. O cenário, por exemplo. Quando muito, determinados grupos incluem alguma projeção digital. "As únicas coisas...", ao contrário, apresentou um cenário muito bem construído e, observa-se, planejado com rigor. A começar pela tela/cortina transparente que encobriu o palco antes da entrada dos bailarinos, na qual constava a assinatura do poeta Mário Quintana, cujos versos serviram de inspiração ao coreógrafo João Butoh. Elementos cênicos também tiveram destaque: os cataventos, os leques, os livros, as xícaras, o baú - elementos que remetem diretamente ao poeta.

A iluminação, outro elemento raramente pensado nos espetáculos de dança, aqui teve certo destaque. De uma beleza sem-igual, no entanto, foi a inclusão da narração dos poemas de Quintana por ele mesmo, intercalada por músicas diversas, da época do poeta, porém com pouca ligação com a obra do artista.

Infelizmente, as qualidades param por aí. E isso se refletiu na reação da plateia, com pessoas saindo na metade do espetáculo, ou mesmo acessando seus aparelhos celulares, parando de olhar o que acontecia no palco.

Com uma poética tão expressiva - os poemas de Quintana - "As únicas coisas..." frustrou, e muito, as expectativas. A começar pelo uso da estereotipia. A direção afirmou, no libreto da montagem, "em uma obra que fala de coisas locais e atinge proporções universais, é inegavelmente uma dádiva, que talvez só os anjos possam explica". Ok, mas colocar bailarinos vestidos de anjos, ainda mais com asas, que inclusive atrapalhavam certos movimentos? Algo muito estereotipado, faltou simbolização.

Não bastasse, faltou dança. "As únicas coisas..." se resumiu a movimentos simplórios, repetitivos e monótonos, com indícios de dança. Dizer que se trata "da misteriosa arte da dança butoh" não só é insuficiente, como afronta o bom-senso e a capacidade de crítica do público. Aplaudiram antes mesmo do término do espetáculo, prontos para irem embora. Equívocos, obviamente, do coreógrafo, não dos bailarinos. Mário Quintana, sem dúvida, merece uma homenagem melhor.

Guilherme Reolon de Oliveira
Mtb 15.241


segunda-feira, 14 de março de 2016

CRÍTICA/DANÇA: Faltou verde em Verde (in)tenso


Enxertar o adjetivo “contemporâneo” à dança – ou a qualquer outra arte – não autoriza o artista a “qualquer coisa” produzir. A obra de arte é aberta a múltiplas interpretações, ok, mas “não escancarada”, como observara Haroldo de Campos.

O espetáculo Verde (in)tenso, apresentado pela GEDA Companhia de Dança Contemporânea, no último dia 11, no Theatro São Pedro, propôs o universo gaúcho como poética de concepção. Elementos da “lida” campeira estiveram presentes, tanto na vestimenta (com indícios de xale, ponchos, bombachas e xilipás), quanto em elementos cênicos, tais como ossadas de bois. Um momento/movimento que teve destaque foi o que metaforizou o tosqueamento de uma ovelha: um bailarino cortava uma espécie de “segunda pele” de uma bailarina. Outro foi a participação de um casal de bailarinos que não pertenciam à Cia: dançaram belissimamente ao som de trechos de música tradicionalista.

A iluminação foi pouco explorada, quase sem modificações. O cenário, embora mínimo, essencializou o vento, retomado em passagens de textos declamados de Érico Veríssimo e em movimentos que visivelmente o ilustraram. O elemento cênico das boleadeiras, utilizado por uma das bailarinas, em momento individual, foi associado a uma passagem de Ana Terra (Veríssimo): mas o discurso de Terra remetia ao desejo, e as boleadeiras, por sua vez, à dominação (do animal?).

A Cia procurou, parece, fugir ao estereótipo do gaúcho, porém a empreitada, se verdadeira, teve efeito contrário: realçou elementos do folclore (temas como a roda de chimarrão, por exemplo). E se desejou fazê-lo, isso não ficou claro, ou poderia acontecer de forma diferenciada. Óbvio, trata-se de escolhas. Mas o figurino, por exemplo, sem fugir de algumas características do tradicionalismo (universo masculino), as reduziu à cor preta, sem motivação poética evidente, mesmo que indicativa, para tal. O recurso conceitual de reduzir o gaúcho às fazendas e ao universo do campo, também produziu efeito invertido negativo: o Rio Grande do Sul não se constitui só do pampa. Mesmo Vitor Ramil, em sua Estética do Frio, foge disso. Aliás, a belíssima música de Vitor, Loucos de cara, finalizou o espetáculo, embora os créditos não tenham sido dados ao compositor no folder. Essa mesma canção, cuja letra remete à união (“Vem, anda comigo, pelo planeta, vamos fugir”) e ao movimento (“Vem, nada nos prende, ombro no ombro, vamos fugir”), foi reduzida a movimentos lentos e, pior, individualizados (inclusive com os “canhões” de luz/refletores apontados para cada bailarino).

Só não ficou pior porque exatamente durante a audição dessa emocionante música, os bailarinos dançaram sobre uma camada verde de erva-mate, derramada segundos antes, o que provocou uma intensidade interessante. Mas o verde só apareceu ali, quase no fim do espetáculo. E o título?

Aparentando dança-teatro, inspirado na coreógrafa alemã Pina Bausch, Verde (in)tenso se constituiu mais de uma peça teatral com alguma movimentação que lembra dança. Mas não dança-teatro. Mais Performance, com resquícios de dança. Com exceção, talvez, de um dos bailarinos, que já passou pela Cia Municipal de Dana de Porto Alegre, e que apresentou uma performance mais próxima à dança, a movimentação dos demais foi seca, faltou sincronia em alguns movimentos que a requeriam. Talvez (!), o mérito maior de Verde (in)tenso tenha sido o trecho em que duas bailarinos executam movimentos robóticos, ao som de vozes femininas sobrepostas, e com apetrechos gaudérios, que associaram as bailarinas a bois. Uma clara crítica à objetificação das mulheres (no campo – só?).   

Guilherme Reolon de Oliveira

Mtb 15.241

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

SOBRE UVAS

E a FESTA DA UVA??????


Decepcionante............

Vai lá que estejamos enfrentando a maior crise financeira..........econômica....política.............


Mas............UVA............é A FESTA...............


Deveria estar no prédio principal.............


A UVA DEVERIA SER OFERTADA a degustação.......em sala ampla...............com bancos...........com conforto..................a UVA é a festa!!!!!!!!!!!!!!!!!


UVA à vontade..............ninguém vai comer uma tonelada de uva.................

e ficaria bonito.........e mercadológico..............dizer de ONDE  VEM a UVA servida!!!!!!!!!!


 VERA MARTA REOLON

MTb 16.069
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